Mais que aos lírios do campo



Surgem-nos por vezes situações, algumas delas causadas por nós mesmos, que nem sempre ultrapassamos da melhor maneira. Falam-nos de Deus e logo temos, como que medo, se respondemos vamos ficar mal vistos, principalmente quando o tema é tratado com a leveza de uma conversa de café ou uma piada entre amigos.

Mas não é dos fracos, mesmo que inteligentes, que quero falar agora. Estas linhas quero dedicá-las aos que não têm medo, aos que não se acobardam perante a situação de parecerem “ridículos” ou “burrinhos”. Loucos de quem o Senhor se serve para calar os sábios, cruzados dos novos dias, que lutam por dar testemunho do Reino numa sociedade que parece não guardar espaço para esses, principalmente entre os meios mais secularizados.

São pessoas como nós, que trabalham, estudam, choram e riem e ainda encontram tempo para, tal como o Pai nos amou mais que aos lírios do campo, amá-Lo tão apaixonadamente que, como crianças que ao dizer a primeira palavra logo a querem repetir ao mundo, transpiram dessa paixão pelo Criador ao ponto de cativar os de coração mais disponível que vivem à sua volta, mesmo que por muito pouco tempo.

São contemplativo, franciscanos puros como gosto de lhes chamar, pessoas a quem Deus concedeu essa graça de O verem e conhecerem através de todas as suas obras, através de toda a Criação. Muito provavelmente serão aqueles santos que nunca chegarão aos altares mas por serem os pequeninos na Terra, já são grandes no Altar Eterno.

A eles, os que conhecemos e os que passam por nós, anónimos, na rua, muito obrigado por, quando pensamos ser grandes, nos mostrarem que podemos ser ainda maiores e nos ajudarem a descobrir caminhos na Fé, em Esperança e com Caridade.

in Açoriano Oriental, Diário do Minho, O Dever

1 comentário:

  1. Já tinha lido este artigo e surpreende-me sempre a simplicidade desses "pobres de espírito" que aprendi a respeitar e admirar quando fui em peregrinação a Fátima pela 1ª vez.

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