Verdade: "Ou é ou não é"



A Verdade existe e é só uma, universal, não há duas verdades para a mesma coisa. A verdade não se define pela interpretação que fazemos de factos. As interpretações podem ser diferentes, porque todos experimentamos os factos de maneiras diferentes, de acordo com o nosso passado, de acordo com experiências que fizemos de outros factos e que nos construiram. Mas por muito diferente que a interpretação seja, o facto em si é o mesmo e só esse é verdade.

Se se perguntar à facção vencedora de uma guerra o que acharam dela, dirão que foi boa da mesma maneira que os derrotados dirão que foi má. No entanto, uma guerra que apenas leva à victória aqueles que não pereceram pelo caminho, não pode ser boa para lado nenhum e essa é a verdade. Pode trazer coisas boas mas é má em si.

Não existe “a minha verdade e a tua verdade”, só podem existir diferentes maneiras de a viver e de a aceitar e a verdade é a mesma, é o que é e que existe e não o modo como a ditamos para nós. Não é por alguém ser daltónico que uma laranja passa a ser uma “azul” ou uma “cinzenta”, é uma laranja.

Também não é por muitos acreditarem em determinada interpretação que esta passa a ser verdade. A Verdade não é declarada por uma maioria. Se assim fosse, da mesma maneira quando se deixasse de aceitar, deixava de ser verdade e logo deixava de ser. Se mais ninguém acreditar em Deus, Ele não deixa de existir, da mesma maneira que Ele não existe apenas porque um grande número de pessoas crê nisso. Por muito que se acredite, os unicornios não existem, apenas são, não passam do universo das ideias, a guerra não passa a ser boa por os vencedores acharem que assim foi.

No renascimento, não era verdade que o sol andava à volta da terra. Não era por isso ser o aceite que passava a ser verdade. A terra não passou a girar à volta do sol quando Copernico declarou. O que havia eram interpretações erradas, baseadas em factos difíceis de compreender, por não ser possível mais investigação. A investigação e experimentação podem levar a interpretações mais verdadeiras e inclusivamente levar à Verdade, mas não são a verdade em si, em momento algum do seu decorrer, até que cheguem à Verdade.

Pode haver muitas coisas relativas e subjectivas, como as interpretações que se façam da Verdade, mas essa é única, o facto, o acontecimento, é só um.

Se assim não for, isto é, se a Verdade for declarada por maioria e houverem várias Verdades, então tudo tem de ser subjectivo e relativo a algo, cai-se em libertinagem e crises de valores. O Bem e o Mal, serão sempre comparações a outra coisa qualquer que mais nos aprover, de acordo com os nossos gostos. Tudo é legitimo porque uma coisa será tanto mais certa enquanto uma for mais ou menos errada. Matar um ou matar mil, não é uma questão de números.

Verdade é só uma, ela existe e É o que É.

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