A humildade do «aleph»
As lendas dos Hebreus falam sobre a humildade da letra «aleph», a mais volátil de todas as letras do alfabeto hebraico, tão modesta que nem sequer tem um som próprio, mas, de quando em quando, nela se apoiam as vogais que precisam dela. Portanto, quando o Eterno quis criar o mundo, chamou perante si o alfabeto, para perguntar qual das suas letras quereria ser a primeira dos escritos divinos da criação. Como acontece facilmente entre os humanos, também as letras competiram para levantar a mão, pretendendo cada uma delas ser a primeira e, com isso, ser digna de inaugurar o mundo. O «aleph» foi a única que se absteve, não ousando sequer levantar a mão; por isso, foi escolhido o «beth», de tal modo que a primeira palavra da Escritura é «bereshit», «in principio» [no princípio], e a primeira letra é o «beth», com que começa toda a bênção do Santo («berakah»).
in Bruno Forte, "As Quatro Noites da Salvação", Editora Paulinas.

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