Antropologia - A morte
«A morte (ou a sua alusão)», diz o protagonista, «torna os homens preciosos e patéticos. Estes comovem pela sua condição de fantasmas; cada acto que executam pode ser o último; não há rosto que não esteja para se apagar como num sonho.
Tudo, entre os mortais, tem o valor do irrecuperável e do fortuito. Entre os Imortais, pelo contrário, cada acto (e cada pensamento) é o eco de outros que no passado o antecederam, sem princípio visível, ou o fiel presságio de outros que no futuro o repetirão até à vertigem. Não há coisa que não esteja como que perdida entre infatigáveis espelhos.
Nada pode ocorrer uma única vez, nada é preciosamente precário».
in Juan Manuel Burgos, Antropologia Breve, Diel
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