Apenas Eru é o Único e todos os outros
seres são em relação com ele e com os outros seres. Não obstante, quando os Ainur se unem em harmonia, adquirem uma
compreensão mais profunda uns dos outros e da mente de Eru. É na relação de uns com os outros que podem compor um som tão
poderoso que transpõe os limites de Arda
e enche o άπείρων do vazio.
Narra ainda o autor que, ao início, os Ainur tocavam sozinhos ou em pequenos grupos por só compreenderem
uma parte da mente de Ilúvatar e ao
ouvir os outros é que podiam ir compreendendo mais e aumentar a harmonia. Da
mesma forma que nos acordes, ouvir um ou outro seu semelhante, faria um Ainu compreender uma parte da mente de Eru ou outra distinta, já que «a alma do
homem e a música enquanto som podem entrar em sintonia com a ordem das coisas e
com a “música das esferas”.»[1]
Assim também um homem é modelado na relação com outros e,
dessa forma, evoluir para se tornar um ser distinto, conforme o que aprende,
tal como o bebé que depois de nascer reconhece a voz da mãe por já a ter ouvido
quando ainda estava no seu ventre. «Desde o início, a voz da mãe assinala o recém-nascido com a
interrogação acerca do sentido, ligando-o a algo que tem a marca do definitivo.
(…) Os sons, como o toque e o sorriso, acariciam-lhe o corpo e fazem-lhe vibrar
a alma.»[2]
Na sua cobiça Melkor,
quer sobrepor-se ao Único e dar vida a coisas suas, embora a «flama
imperecível»[3]
não se possa encontrar se for procurada numa “relação-zero” com este deus
descrito pelo autor, numa não-relação com o Criador. Melkor procura o fogo de criação nos «lugares vazios»[4]
onde não há Ilúvatar, e por isso não
a encontra.

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