Cristo, plenitude da Revelação (3/3)


Por palavras e obras



«Disse-lhe Jesus: “Maria!”Ela, aproximando-se, exclamou
em hebraico: “Rabbuni!” – que quer dizer: “Mestre!”» (Jo 20, 16)

«E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir,
entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no.» (Lc 24, 30-31)



Após a ressurreição de Jesus encontramos vários relatos bíblicos de encontros onde a Sua presença não foi imediatamente notada por quem o via. Afinal estava ou não desvelado Deus para sempre?

No primeiro acontecimento acima citado, Maria à entrada do túmulo vazio confunde o Mestre com um jardineiro, ao ponto de o questionar onde estava o corpo do Senhor. Somente depois de O procurar pela terceira vez (no túmulo, na pergunta aos anjos e por fim ao “jardineiro”), quando Jesus a chama pelo nome, é que O reconhece. Podemos conjecturar desta passagem duas disposições diferentes face à revelação de Jesus: que Ele se revela não àqueles que o querem de alguma forma possuir mas apenas aos que O procuram de coração sincero e até choram por não O encontrar; que O reconhecemos quando nos chama pelo nome (com o que isso significa e que já vimos anteriormente). «O homem anda à procura de Deus. (…) Mas é Deus que primeiro chama o homem»[1] e revela-se naquilo que é o mais próprio da relação intima com Ele: a oração.

A segunda narrativa citada conta como os discípulos de Emaús O reconheceram na fracção do pão. Jesus começa por lhes explicar as Escrituras, preparando os seus corações, e revela a Sua presença física totalmente repetindo o sacramento da Eucaristia que tinha instituído na sua última ceia antes da Paixão e Morte. Esta passagem indica-nos o segundo elemento onde Deus continua a revelar-se depois da ressurreição: a acção litúrgica, «o Ressuscitado é encontrado na palavra e no sacramento; o serviço divino é a maneira pela qual ele se nos torna tangível e reconhecível como vivo.»[2]





Excerto da monografia no âmbito da cadeira de Introdução ao Cristianismo
FT-UCP, 2014


[1] Catecismo da Igreja Católica, 2566-2567
[2] J. Ratzinger, Introdução ao Cristianismo, 148 

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