Fortaleza: coragem e prudência
A pesquisa do segundo dia inicia-se com a retoma da afirmação do filho de Agostinho, de que possui Deus quem não tem um espírito impuro, tema que tinha ficado em suspenso pela refutação aos Académicos. Adeodato acrescenta também que «quem vive castamente é que não tem o espírito impuro.»[1] Conjuntamente, a abertura ao transcendente, provocada pela introdução de Deus no discurso, remete-nos para a virtude que habita a parte da alma que se situa imediatamente acima da anterior: a alma irrascível, que Platão coloca no peito, junto ao coração. As virtudes que possibilitam a pureza e fortaleza de coração são a coragem[2] e a prudência[3].
Embora Santo Agostinho não dedique muito tempo do diálogo a explicar exactamente estas duas virtudes, leva o grupo a concordar que a pureza é uma condição necessária, embora não única para procurar Deus. No entanto tratam-se das virtudes que impelem e auxiliam o homem nessa mesma busca, estando directamente ligadas aos actos da vontade e por isso à conduta ética propriamente dita: a prudência como a «virtude que dispõe a razão prática para discernir»[4] e a coragem como «a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem»[5]
O doutor da Graça não deixa no entanto de referir no início da obra que, qualquer que seja a classe de navegantes e o destino para onde se dirigem, a viagem acontece «a pulso de remos»[6], porque «optaram por avançar»[7], quer por «uma rota adequada»[8] ou «errando pela neblina»[9], devendo vigiar para que a rocha da soberba não lhes tolde o espírito, já que «este rochedo não tem qualquer consistência interior nem firmeza.»[10]
Ainda que não presente directamente no diálogo, o autor reconhece, tal como Platão, a importância destas duas virtudes no caminho para alcançar a felicidade. Se a temperança prepara o espírito pela instrução do corpo, a coragem e a fortaleza formam-no para aceder à parte superior da alma: a alma racional.
Embora Santo Agostinho não dedique muito tempo do diálogo a explicar exactamente estas duas virtudes, leva o grupo a concordar que a pureza é uma condição necessária, embora não única para procurar Deus. No entanto tratam-se das virtudes que impelem e auxiliam o homem nessa mesma busca, estando directamente ligadas aos actos da vontade e por isso à conduta ética propriamente dita: a prudência como a «virtude que dispõe a razão prática para discernir»[4] e a coragem como «a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem»[5]
O doutor da Graça não deixa no entanto de referir no início da obra que, qualquer que seja a classe de navegantes e o destino para onde se dirigem, a viagem acontece «a pulso de remos»[6], porque «optaram por avançar»[7], quer por «uma rota adequada»[8] ou «errando pela neblina»[9], devendo vigiar para que a rocha da soberba não lhes tolde o espírito, já que «este rochedo não tem qualquer consistência interior nem firmeza.»[10]
Ainda que não presente directamente no diálogo, o autor reconhece, tal como Platão, a importância destas duas virtudes no caminho para alcançar a felicidade. Se a temperança prepara o espírito pela instrução do corpo, a coragem e a fortaleza formam-no para aceder à parte superior da alma: a alma racional.
Excerto da monografia no âmbito da cadeira de História da Filosofia Medieval
FT-UCP, 2014
[1] AGOSTINHO, Diálogo sobre a felicidade, 57
[2] Do latim, coragem = cor (coração) + ago (agir)
[3] Do latim, prudência = pro (a favor) + video (ver)
[4] Catecismo da Igreja Católica, 1806
[5] Ibidem, 1808
[6] AGOSTINHO, Diálogo sobre a felicidade, 21
[7] Ibidem, 23
[8] Ibidem
[9] Ibidem
[10] Ibidem, 25

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