Antes
de Tales, David
«Quando contemplo os céus, obra
das tuas mãos,
a Lua e as estrelas que Tu
criaste:
que é o homem para te lembrares
dele,
o filho do homem para com ele te
preocupares?
Quase fizeste dele um ser divino;
De glória e de honra o coroaste.
Deste-lhe domínio sobre as obras
das tuas mãos,
tudo submetestes a seus pés.» (Sl
8, 4-7)
Não será com certeza a primeira vez que o salmista se interpela sobre a sua própria natureza. A observação de um céu apenas escuro não lhe dá resposta para a indagação, pois nada há de visível acima dele.
No entanto, a lua e as estrelas que iluminam o céu negro, realidades transcendentes que apenas com a vista e à noite pode alcançar, revelam-lhe a dignidade própria de um “quase ser divino”. Reconhece também que o Criador tudo meteu abaixo dos seus pés, isto é, toda a criação, até os astros, foi colocada num plano, não apenas físico mas também metafísico, inferior ao do homem.
Podemos aqui avançar a hipótese de a mediação executada por David ocorrer ao nível da experiência sensorial e, por isso, física. Para ele era claro que o mundo estava abaixo dos seus pés (como deve ser para qualquer um de nós), que acima dele estavam os astros e, mais além, o próprio Javé, pois a Sua majestade era mais alta que os céus[1]. No entanto, começa a intuir ter domínio sobre a obra das mãos de Deus, ou seja, até a lua e as estrelas lhe eram inferiores. Neste sentido, David entrepõe-se entre estas duas realidades, o Criador e a criação, tornando-se de alguma forma, mediador entre um céu e uma terra. Permanece a questão de como o homem é lugar para a mediação.
No entanto, a lua e as estrelas que iluminam o céu negro, realidades transcendentes que apenas com a vista e à noite pode alcançar, revelam-lhe a dignidade própria de um “quase ser divino”. Reconhece também que o Criador tudo meteu abaixo dos seus pés, isto é, toda a criação, até os astros, foi colocada num plano, não apenas físico mas também metafísico, inferior ao do homem.
Podemos aqui avançar a hipótese de a mediação executada por David ocorrer ao nível da experiência sensorial e, por isso, física. Para ele era claro que o mundo estava abaixo dos seus pés (como deve ser para qualquer um de nós), que acima dele estavam os astros e, mais além, o próprio Javé, pois a Sua majestade era mais alta que os céus[1]. No entanto, começa a intuir ter domínio sobre a obra das mãos de Deus, ou seja, até a lua e as estrelas lhe eram inferiores. Neste sentido, David entrepõe-se entre estas duas realidades, o Criador e a criação, tornando-se de alguma forma, mediador entre um céu e uma terra. Permanece a questão de como o homem é lugar para a mediação.
Excerto da monografia no âmbito da cadeira de Seminário Temático
O Pensamento Ontológico Presente nos Filósofos Pré-Socráticos
FT-UCP, 2014
O Pensamento Ontológico Presente nos Filósofos Pré-Socráticos
FT-UCP, 2014

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