Dhanurveda e o hinduísmo
O principal escrito do período védico (XV-VI a.C.) acerca da arte da guerra é o Dhanurveda, onde são descritas as normas de treino e combate, especialmente do arco. O texto sagrado terá sido recebido por Sarngadhara directamente de Shiva através de um sonho[1]. Juntamente com algumas narrativas épicas indianas que descrevem os deuses e suas armas, forma a base para a ciência militar védica.
Ainda num contexto social onde impera a lei do mais forte, seria de prever que aquele que tivesse maior domínio da arte da guerra teria também a ferramenta para exercer o governo. No entanto, é de notar que a classe dominante não era necessariamente a mais versada, isto é, dos saptayuddha, mas a daqueles que utilizavam a espada como arma pessoal, os kshatriya. Este termo veio a designar, não apenas a classe dos guerreiros de espada mas dos governadores em geral.
Ainda no Dhanurveda, encontramos uma indicação para a necessidade de domínio, não apenas do corpo mas também do espírito do guerreiro: «um arqueiro que é puro de coração, torna-se mestre da sua arma aplicando a mente, ensinamento e as mãos»[2]; entre outras, descritivas do comportamento da mente no momento do disparo do arco. Desde cedo que se descobriu a estreita relação entre o combate do corpo e a vida espiritual e ascética. Talvez assim se perceba porque os saptayuddha não eram a classe dominante. Para se dominar diversas formas de luta tem de se dominar ainda mais o espírito. Esta união marca a diferença entre a arte marcial e uma guerra sem arte.
É também importante referir que enquanto uns se preocuparam mais com o controlo da terra e riquezas, como os guerreiros Sikh, outros procuraram apenas na vida ascética uma libertação do ciclo de reencarnações samsara. Estes ficaram conhecidos como sramanas. «Destas tradições de renúncia saíram as comunidades monásticas do Budismo, Jainismo e Hinduismo.»[3]

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