Dos Vedas aos Samurais: influências religiosas na arte da guerra (2/4)


Siddharta Gautama e a expanção do budismo




É neste ambiente social e religioso que nasce Siddharta Gautama, cerca do ano 560 a.C. Filho do rei de Lumbini, na fronteira com o Nepal, pertencia à classe kshatriya.[1] Seu pai, querendo que Gautama lhe sucedesse no trono, tentou privá-lo todos os problemas associados à condição humana (velhice, doenças, morte, …), embora o esforço tenha sido em vão. Aos 29 anos foge do palácio e decide viver mendicante, adoptando um estilo de vida semelhante aos sramanas.[2] Após a sua Iluminação, percebeu que o ascetismo extremo não era a via mais indicada para a libertação. Após pregar durante muitos anos, organizou os seus discípulos, criando um código de regras, os Vinaia, e uma serie de conversas «designadas colectivamente como Sutras».

É com base nos Sutras que se vai desenvolver a corrente do budismo Mahayana, sobre a qual podemos encontrar uma linha ininterrupta de patriarcas budistas, desde o discípulo directo de Buda, Mahakasyapa, até ao 28º discípulo, Bodhidharma (séc. V d.C.). Entretanto, as diversas correntes do budismo tinham continuado a difundir-se, atravessando toda a China, chegando ao mosteiro de Shaolin (onde continua o nosso percurso).

Numa das suas viagens, Bodhidharma chega ao referido templo e depara-se com as condições de pobreza e debilidade dos monges, resultado do estilo de vida pacífico próprio do budismo Mahayana. Tal situação era expectável devido a uma exacerbação do ahimsa, isto é, a não-violência, tornando-os muitas vezes vítimas de salteadores. Por esse motivo, Bodhidharma ensinou um conjunto de exercícios físicos para melhorar a saúde e a defesa pessoal, que mais tarde vieram a ser organizados no que é hoje chamado de Kung-Fu. Sistematizou também a prática da meditação como um auxílio à libertação do samsara, já presente no budismo Mahayana.



Excerto da monografia no âmbito da cadeira de História e Teologia das Religiões
FT-UCP, 2015

[1] cf. Bradley Hawkins, Budismo, trad. de Helena Leuschne, Lisboa, Edições 70, 2008, p. 35
[2] cf. Ibidem, 37

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